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cansa-me conversa de nada frases finitas num… pois silêncio num… falamos depois quero palavras que rasguem                         de cima a baixo palavras que amarrem                         ao som de contrabaixo quero letras que são feridas                         e deixam marcas como cicatrizes                         e lembram futuras raízes decidi sua morte num ápice Ee escrevi na lápide, aqui jaz                 ...
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o último olhar num risco de mar desenhado esculpido palavra surda letra muda primeiro pensar num suave acordar denso imenso doce beijo assim te vejo
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gosto de paz e silêncio de pormenores que perturbem o olhar gosto de momentos  imagens por serem efémeros de cores fortes e brancos, e pretos, vincados gosto de rugas nas mãos e sorrisos tímidos           de olhares fixos e misteriosos gosto do pôr do sol por ser irrepetível           e do nascer pelo ciclo de vida imperdível gosto do mar           do azul do céu e traços desenhados pelo vento gosto do infinito e de tudo que finda           de uma boca linda e palavras que abraçam gosto de chorar por músicas que enlaçam           na cintura e num murmúrio dançam os sentidos          os gemidos gosto de silêncio na madrugada gosto da paz na hora passada
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A noite E a tempestade, Que se instala A todo o deitar. Voltas e revoltas Na ansiedade. No querer fechar portas No respirar A noite De turbulência, Está para ficar Olho alerta Imóvel Pequena residência Falta o ar Um torneira aberta A noite De tanto medo De tanta vontade Para esquecer Transpiração Sem vento Sem idade Quero morrer in Nocturnos, de Rui E. Horta
Estava abandonado, por si mesmo. Vagueava, na procura de qualquer coisa, qualquer coisa, que permitisse deixar de estar como estava. Perdido, desconhecido, tirou fotos de si. Não se identificava. Procurou, de foto na mao, se o tinham visto. Ouviu tantas vezes a palavra Louco. Julgou ser o nome de quem estava na foto. E começou a perguntar se tinham visto o Louco.
Já não perdes a roupa pela sala, pelo quarto. Num rasto de desejo, quando chegas. Já não encontro vontade, espalhada na cama nos segredos do teu corpo quando ficas. Hoje somos silêncio. Amanhã? Não sei. Temo, por tudo o que trazes. Penso, em tudo o que fazes. Hoje somos silêncio. Amanhã? Não sei. Já não perdemos palavras, noite dentro. E são horas, pensamentos. Hoje somos silêncio Amanhã?
Cry me a river Nesta noite e tantas outras, instala-se rebelião. Vivo na exaustão Cry me a river Mil pensamentos. Mais tormentos, histórias que se acumulam Cry me a river Nesta manhã dolorosa. Cidade nublosa, horas que atormentam Cry me a river Nos meus braços, pelo teu corpo. Doce abandono Cry me a river Na cama que pernoito, lençóis que agarro Nos sonhos que embaraço Dry me a river Na longa noite. Olhar profundo, voz sem fundo.