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Acordo no sabor da tua noite... vagueamos na certeza de nós. Doce corpo que cresce a dois. Sol nascente, em ti. No teu cuidar. Lavro desejo... acolhes a vontade, como chuva absorvida. Cheira a terra molhada, cheira a céu aberto. Manhã desfolhada despida de tempo.
passo por aí hoje... não esperes! gosto de sentir o teu pensar... o teu olhar. aguardo, ansiedade que chega... perfumas a noite, dormes em mim e parto... ao teu encontro.
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inicio da solidariedade... dezembro... começa o tempo em que despertamos para os desfavorecidos, sem abrigo, sem emprego, sem familia, sem nada... a forma como nos entram pela casa dentro, as noticias das desgraças e das pessoas que vivem mal, ou não vivem, faz sentir que até agora não existia nada disto, que agora é que vamos fazer alguma coisa e em janeiro estas pessoas passaram a viver bem... hoje, 1 de dezembro, chorei quando vi pessoas voluntarias que todos os dias do ano distribuem alimentos e roupa pelas ruas da cidade, das cidades, quando existem pessoas que dão comida que sobrou dos seus restaurantes e pastelarias. neste tempo de tanta indiferença, tanto desrespeito e deseducação social, fico feliz quando existem pessoas que nos outros meses do ano levam palavras e afectos. "servir um sorriso" é o nome de uma associação que descobri hoje e eu tambem fui servido de um sorriso quando afinal vi que ainda existe solidariedade nas pessoas...
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encontro a tua mão na minha, e o destino tem sentido!! amo-te.. como sempre sonhei amar alguém. Na linha do horizonte entrelaçamos os dedos, ao alcance do teu olhar cruzas o corpo que te recebe. Voas dentro de mim na liberdade que nasce de nós. Sonho... sonhas... Na maior paz ganha que algém lutou.
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Algum dia conseguimos olhar para trás? Algum dia somos verdadeiros com o nosso modo de estar? Com o modo de estar dos outros? Enoja-me o presente. Corto a mentira que se fixa no tempo que temos...
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Desaguam de mim... Um grito de silencio, corta a cama onde nos entendemos tantas vezes. Sinto solidão, estou ausente de mim. Aqui cheguei... com mar de felicidade a nascer. Sem nada lutar para evitar este caminho. Desaguei na escuridão e aguardo. Passiva... expectante... Os dia não tem forças para alterar as horas que lentamente avançam para o abismo. Saem de mim como já tinham saído. E agora não as amparo nem protejo. Ansiedade pelo futuro que podem não ter. Ansiedade pelo que não consigo fazer por mim...
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... dançam os dedos na guitarra em noite quente de aldeia, a música das estrelas é suave, doce, envolvente e refresca o prazer do som que rodopia nas luzes de rua. na taberna canta-se e o vinho do passado ano torna todos mais novos no bailar que avança nas horas. os traquinas dormem das trobelias diárias, sonham com grandes feitos ao iniciar da manha seguinte. encosto o meu corpo nas pedras da memoria desta casa e sinto as tristezas dos tempos passados, o trabalho duro de quem por aqui passou. as notas libertam-se das cordas e, por momentos, choram quando lembram outros dedos que por aqui dançaram. noite quente, noite de tempo parado ... ... está frio em lisboa. o bandolim inspira a alegria de mais um tempo passado, e no conhecimento dos dedos que bailam a música lançada, instala-se no olhar do tempo presente a noite da aldeia ...