quinta-feira, 15 de setembro de 2016

No fim deste tempo
Recebi um ok teu
Como adeus
Como despedida
Como partida

No fim deste tempo
Ficou em falta um abraço
Ficou um olhar baço
Sem uma palavra
Sem uma graça

No fim deste tempo
Nada resta
Nada presta
Num quarto vazio
Num silêncio frio

No fim deste tempo
Fica tudo menos ilusão
Fica nada na certeza da desilusão

domingo, 11 de setembro de 2016

Pesam-me os sonhos.
Acordo preso por uma viagem.
Um suspirar
Uma fresta de desejo
Rompendo o dia.

Estala o soalho
E as horas passam
Num silêncio de paragem
Ritmado
Na insónia da manhã

Quero uma noite de parto
Para um romper de vida
Quero um manhã de domingo
Para um por-do-sol no peito

Pesam-me os sonhos
Que não tenho

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

A morte fascina-me
Pelo desconhecido que comporta
Pela certeza do incerto
Por uma rota
Por uma vida finda

A morte seduz-me
Pelo alivio da derrota
Pela tristeza do aperto
Por o encerrar de uma porta
Por uma linha que termina

A morte seduz-me
Pela sedução que não tive na vida
Lua de água
No ondular de luz
As estrelas caem
Num gemido
Num segredo

Leva-me
Ao fundo de um mergulho
Leva-me
Ao topo de um voo

Silêncio de prata
E um olhar
Aquele olhar
De face cheia
De uma lua

sábado, 6 de agosto de 2016

Não posso gostar tanto de ti.
Porquê?
Porque cada vez gosto mais de ti do que de mim.
Não podes. Tens de gostar de ti tanto como gostas de mim.
Eu sei. Por isso nao te deixo.
Então?
Se deixasse era porque tinha deixado de gostar de mim.
Asfixio-te?
Não. Respiro-te

sábado, 30 de julho de 2016

A ausência cria saudades
quando não é alimentada pelo esquecimento.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Assim vai o mundo
Hesitante
Desconcertante
Em volta de uma lâmpada
Em busca de sangue
Estanque
Num poço fundo

Assim vai
Sem nada que impeça
O seu rumo
Num fio de prumo
Dentro de uma regra
Numa gente em rodopio
Em tempo frio

Assim
Sem leveza
Com tristeza
Num olhar que se perde
Numa dor que se verte
Enfim,
O mundo vai.